
Nome: Gildete Guerreiro da Silva
Idade: 46 anos
Profissão: auxiliar de educação no ensino especial, da escola do Montenegro
Considera-se uma pessoa desfavorecida? Neste momento sim.
Porquê? Estou separada, tenho 2 filhos. O salário de uma auxiliar de educação e 550 euros (não tenho problemas em dizer isto). A justiça em Portugal não funciona a nível de pais separados. Os pais vão ao tribunal, fazemos acordos, os pais cumprem ou não cumprem de acordo com a vontade deles e o tribunal responde-nos que as leis são feitas para cumprir. Mas que não há uma lei que faca com que as pessoas cumpram – e esta a resposta que eu ouvi do tribunal. E tenho o pai dos meus filhos que da uma pensão de 200 euros para duas crianças e quando pode dar, quando não apetece não da. E é assim, ninguém faz nada. Vivemos nisto. E é por isso que eu, neste momento estou a passar dificuldades.
Entrando um pouco na sua vida pessoal. Há quanto tempo está divorciada do seu marido? 6 Anos
Quantos anos têm os seus filhos? Um com 7 e uma com 14.
Sente-se um pouco à parte da sociedade? Sim, com certeza, é certo que sim.
Concorda que a situação em que vive podia ser melhor? Acho que sim.
Culpa alguém da situação em que vive? Alguém em particular não, o sistema talvez. Eu sou brasileira, venho de um país do terceiro mundo onde toda a gente diz que nada funciona. E quando chegamos aqui, num país do primeiro mundo e a sensação que temos é que as coisas vão mudar, que as coisas vão funcionar. Eu estou em Portugal à 20 anos, e, portanto já passei por várias fases de Portugal e realmente as coisas não funcionam como deviam funcionar a nível de primeiro mundo.
O que faltou para ter conseguido uma vida um pouco melhor? Primeiro, eu sou filha de uma família pobre e inculta que não me conseguiu mudar e incentivar o suficiente e de forma convincente que estudar valia a pena e eu parei no 10º ano. Depois, nessa altura já precisava trabalhar. Com 14/15 anos as miúdas querem umas quantas coisas que os pais não conseguem dar (os meus). E a partir daí comecei a trabalhar e o estudo foi ficando para trás. Foi isso que faltou para eu ter alguma coisa de melhor na minha vida. Depois, tive dois filhos o que me dificultou a falta de tempo para ter outro emprego. Faço outras coisas, por exemplo sou artesã desde os 18 anos de idade e trabalho muito mas chega a um ponto que não dá. Em Portugal, não só a escolaridade conta mas conta o diploma, mesmo que as pessoas não saibam fazer nada com esse diploma. Mesmo que não tenha nenhuma habilidade.
Arrepende-se de alguma coisa na sua vida? Não...
Se calhar se tivesse que voltar atrás faria diferente algumas coisas mas tudo o que nos passamos e o nosso caminho, temos que passar por ele e temos que aprender com os nossos erros.
Como é que vê o apoio desta instituição para si? Eu conheço esta instituição há muito pouco tempo. Conheci há 4 ou 5 dias atrás. Tenho uma amiga que ta aqui a fazer voluntariado e inscreveu-me. Eu não conheço absolutamente nada da instituição. É a primeira vez que venho aqui. Qualquer o tipo de ajuda é valido. Só o esforço de eles estarem aqui a trabalhar e fazer voluntariado é de louvar. Por isso e que eu também me inscrevi pra vir fazer voluntariado... sexta-feira cá estou.
Considera-se uma pessoa feliz? Claro que sim.
Na sessão de hoje realizámos um poster por forma a dar a conhecer o nosso projecto. Também nos dedicámos á fase final da realização do video e passámos as últimas entrevistas para o documento word.

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