segunda-feira, 31 de maio de 2010

Reflexão do Luis e do Afonso




Face Oculta, juntos desde Outubro a trabalhar no objectivo de revelar à sociedade as faces ocultas da cidade. Foram 7 meses de esforço, dedicação e o resultado final está à vista, emocionámos quem viu este filme e esperemos chocar ainda quem o venha a ver. A realidade é esta e se lhe passa ao lado, veja este filme e mudará a sua sensibilidade e preocupação perante esta problemática pelo menos durante o visionamento do mesmo, ou melhor durante mais tempo a sua visão da realidade farense, pois sabemos que vai cair no esquecimento, mas se lhe chocou realmente não fique indiferente e ajude.

Luís Wong, Maio 2010



Parece que já tudo foi dito. Esta é a parte dos clichés, onde se diz tudo de bonito, que foi óptimo realizar este trabalho, que foi uma linda experiência, uma vivência para recordar, etc. Não sou nada de usar clichés ou frases bonitas, mas a verdade é que estas existem para serem usadas em determinados momentos, são frases feitas, feitas para momentos como este. Se não fossem elas, não saberia o que dizer agora.
Sou sincero em admitir, que este projecto foi diferente desde início. As expectativas que criei foram as maiores. E há muito tempo que as criei. Surgiu-me na cabeça, mesmo pela primeira vez, mesmo pela primeira vez que nos sentámos como grupo, fazer algo como o que hoje existe: um vídeo que não deixa ninguém indiferente, que esboça uma realidade difícil, uma escola mais alertada, uma visão diferente daqueles que ignoravam esta situação. Sei que foi complicado, houve contratempos, foi muito o stress à volta de tudo isto, divergências, mas agora sabe bem ver o que no fim se realizou. Sinto até algum orgulho por ver o que o grupo conseguiu realizar e os elogios que recebemos sempre pagam qualquer esforço que sempre tive ou tivemos. Elevámo-nos a um nível artístico, se assim se pode dizer, fizemos arte. Tivemos essa sensibilidade.
Por mais que tentássemos, num ano é impossível realizar o que queríamos realizar em vários anos. Podíamos crescer ainda mais. A meu ver, estar cá para o ano significaria a continuidade deste projecto. Mas como ao que parece, a Área de Projecto vai terminar, o que me deixa algo desapontado porque sempre quisemos que alguém desse mais um episódio a este projecto. Cabe agora, na minha opinião, aos alunos que ficaram a conhecer a CASA, caminharem num sentido de que nada do que já está em parte feito se possa perder. O meu objectivo mais pessoal, sempre foi o de tornar o liceu uma escola diferente, de modo a perder um certo estereotipo de escola fútil que tem ganho nos últimos anos, que até é verdade…a nossa geração é demasiado criticada, dizem que somos muito pouco empreendedores, que não temos valores nenhuns. Não é bem assim. Ainda há homens (e mulheres) de “H” grande. Desabafo.
Se vamos mudar alguma coisa não sei, mas ao menos tentámos e para mim isso quase que chega. Foi óptimo, uma linda experiência e uma vivência para recordar. Sinceramente.

Afonso Sousa, Maio 2010

Reflexão da Semana de Área de Projecto


De uma forma geral, todos os elementos do grupo “Face Oculta” realçam a importância da semana de área de projecto.
Para o Afonso, a semana de Área de Projecto foi o início do culminar de um ano de trabalho. Foi um alívio e soube bem ouvir todos os elogios (esperamos que sinceros) tanto de colegas como da professora, principalmente da professora, muito complicada de agradar. Sempre nos sentimos um pouco incompreendidos mas foi no documentário que nos revelámos e mostrámos que não éramos apenas mais um grupo. É isso que sentimos. Mesmo nas fotos, revelámos alguma qualidade, fomos organizados e nas apresentações que ainda faltam realizar, esperamos marcar a diferença e influenciar as pessoas que visualizarem o filme, o objectivo sempre foi esse. Mudar a escola e torná-la numa escola de voluntários. Neste curto espaço de tempo que foi o “dia de Área de Projecto”, serviu para mostrarmos esses dois importantes produtos finais. Foi importante para nós. Deu-nos também a conhecer outros projectos interessantes e surpreendentes, foi uma semana diferente e que mexeu com a dinâmica da escola.
A Sara acabou por realçar a utilidade da semana de AP, pelo facto de se poder mostrar todo o trabalho realizado ao longo do ano, quer através do vídeo, quer através da exposição fotográfica. Achou que correu tudo como tinha sido previsto. Fez referência à exposição de fotografias, pelo facto desta ter chamado a atenção das pessoas, e também à apresentação do vídeo, pela grande adesão que este teve, e também por ter alertado alguns alunos da escola para a problemática em questão e para a existência da Associação CASA.
Do ponto de vista da Teresa, esta achou a semana de área de projecto bastante importante e dinâmica. Foi uma semana diferente, no sentido em que cada grupo pôde demonstrar todo o trabalho realizado ao longo do ano. Para o grupo “FACE OCULTA” teve um gosto muito especial, foi bom mostramos que por detrás de toda a nossa desorganização podiam surgir boas ideias e bons produtos finais, tais como, a exposição de fotos e o vídeo. Em termos de criticas, aponta que uma manhã é muito pouco tempo para podermos mostrar com calma cada projecto.
O Ricardo achou que pelo menos para o “Face Oculta”, correu como planeado, tirando uns contratempos com o nosso poster, que também foram facilmente solucionados. Por isso, pensa que no global correu bem e, como é do conhecimento geral ainda está a decorrer a apresentação do filme e a exposição de fotos que foram tiradas ao longo da realização do projecto.
E, por fim, o Luís fala da importância da semana, em que revelámos à comunidade escolar o nosso resultado final, que levou mais de 7 meses a ser concluído, com muitos altos e baixos mas sempre conscientes daquilo que poderíamos fazer com o intuito de emocionar as pessoas torná-las não indiferentes à problemática. Foram 7 meses de esforço, dedicação e o resultado final está à vista, emocionámos quem viu este filme e esperemos chocar ainda quem o venha a ver. Esperemos que isto não seja em vão e não caia no esquecimento, pois assim todo este esforço terá sido em vão.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Entrevista a Gildete, uma desfavorecida


Nome: Gildete Guerreiro da Silva
Idade: 46 anos
Profissão: auxiliar de educação no ensino especial, da escola do Montenegro


Considera-se uma pessoa desfavorecida? Neste momento sim.

Porquê? Estou separada, tenho 2 filhos. O salário de uma auxiliar de educação e 550 euros (não tenho problemas em dizer isto). A justiça em Portugal não funciona a nível de pais separados. Os pais vão ao tribunal, fazemos acordos, os pais cumprem ou não cumprem de acordo com a vontade deles e o tribunal responde-nos que as leis são feitas para cumprir. Mas que não há uma lei que faca com que as pessoas cumpram – e esta a resposta que eu ouvi do tribunal. E tenho o pai dos meus filhos que da uma pensão de 200 euros para duas crianças e quando pode dar, quando não apetece não da. E é assim, ninguém faz nada. Vivemos nisto. E é por isso que eu, neste momento estou a passar dificuldades.

Entrando um pouco na sua vida pessoal. Há quanto tempo está divorciada do seu marido? 6 Anos

Quantos anos têm os seus filhos? Um com 7 e uma com 14.

Sente-se um pouco à parte da sociedade? Sim, com certeza, é certo que sim.

Concorda que a situação em que vive podia ser melhor? Acho que sim.

Culpa alguém da situação em que vive? Alguém em particular não, o sistema talvez. Eu sou brasileira, venho de um país do terceiro mundo onde toda a gente diz que nada funciona. E quando chegamos aqui, num país do primeiro mundo e a sensação que temos é que as coisas vão mudar, que as coisas vão funcionar. Eu estou em Portugal à 20 anos, e, portanto já passei por várias fases de Portugal e realmente as coisas não funcionam como deviam funcionar a nível de primeiro mundo.

O que faltou para ter conseguido uma vida um pouco melhor? Primeiro, eu sou filha de uma família pobre e inculta que não me conseguiu mudar e incentivar o suficiente e de forma convincente que estudar valia a pena e eu parei no 10º ano. Depois, nessa altura já precisava trabalhar. Com 14/15 anos as miúdas querem umas quantas coisas que os pais não conseguem dar (os meus). E a partir daí comecei a trabalhar e o estudo foi ficando para trás. Foi isso que faltou para eu ter alguma coisa de melhor na minha vida. Depois, tive dois filhos o que me dificultou a falta de tempo para ter outro emprego. Faço outras coisas, por exemplo sou artesã desde os 18 anos de idade e trabalho muito mas chega a um ponto que não dá. Em Portugal, não só a escolaridade conta mas conta o diploma, mesmo que as pessoas não saibam fazer nada com esse diploma. Mesmo que não tenha nenhuma habilidade.

Arrepende-se de alguma coisa na sua vida? Não...
Se calhar se tivesse que voltar atrás faria diferente algumas coisas mas tudo o que nos passamos e o nosso caminho, temos que passar por ele e temos que aprender com os nossos erros.

Como é que vê o apoio desta instituição para si? Eu conheço esta instituição há muito pouco tempo. Conheci há 4 ou 5 dias atrás. Tenho uma amiga que ta aqui a fazer voluntariado e inscreveu-me. Eu não conheço absolutamente nada da instituição. É a primeira vez que venho aqui. Qualquer o tipo de ajuda é valido. Só o esforço de eles estarem aqui a trabalhar e fazer voluntariado é de louvar. Por isso e que eu também me inscrevi pra vir fazer voluntariado... sexta-feira cá estou.

Considera-se uma pessoa feliz? Claro que sim.



Na sessão de hoje realizámos um poster por forma a dar a conhecer o nosso projecto. Também nos dedicámos á fase final da realização do video e passámos as últimas entrevistas para o documento word.